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"A MEDICINA É UMA CIÊNCIA SOCIAL E A POLÍTICA É A MEDICINA EM LARGA ESCALA " ( VIRCHOW, 1849)
INTRODUÇÃO
Com a afirmação
acima colocada em destaque, Virchow antecipava a visão ampla com
que a saúde é considerada nos dias atuais. Para se racionalizar
a atenção à saúde no que se refere à
definição de prioridade para gastos, aplicação
de verbas disponíveis quase sempre insuficientes para abarcar todas
as áreas, além da necessidade de aumento de cobertura e resolutividade
dos serviços e programas ,é fundamental que se valorizem
e se discutam alguns aspectos relativos ao trabalho voluntário,
ao financiamento de projetos comunitários e ao envolvimento dos
setores governamentais e não governamentais neste processo.
Já se admite hoje,
com quase unanimidade, a importância dos trabalhos multidisciplinares
e multiprofissionais para racionalizar a atenção à
saúde em níveis de complexidade crescentes, do nível
primário ao terciário, num processo de decisão política
muitas vezes moroso e com interrupções sucessivas. Nesta
busca é que o trabalho voluntário assume importância
inquestionável e que deve ser ampliado e aperfeiçoado, atuando
como catalizador de atividades de promoção da saúde
que não podem ser adiadas, e mesmo forçando autoridades responsáveis
à tomada de decisão mais rapidamente.
O HOMEM SOCIAL - A MOTIVAÇÃO
O homem caracteriza-se pela
inteligência e pelo poder de escolher seu próprio destino,
traçar metas e definir-se perante a realidade. Uma comunidade é
formada por pessoas que convivem dentro de uma forma de organização
e coesão social, cujos membros partilham, em maior ou menor grau,
características políticas, econômicas, sociais e culturais,
bem como interesses e aspirações.
Participação
comunitária é o processo pelo qual indivíduos e famílias
assumem a responsabilidade pela saúde e bem estar próprios
e da comunidade, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e coletivo.
Paralelamente, todo ser
humano necessita de motivos para fazer algo que lhe demande tempo e esforço.
Antes de começar a trabalhar por certos objetivos e metas, há
necessidade de se encontrar algum sentido pessoal neles. A motivação,
no sentido psicológico, é a tensão persistente que
leva o indivíduo a alguma forma de comportamento visando à
satisfação de uma ou mais necessidades . Estas necessidades
podem ser:
- fisiológicas -
de alimentação, de sono, abrigo, repouso
- segurança - perigo
de doenças,incerteza de desemprego,roubo
- sociais - relacionamento,
aceitação, afeição,amizade, consideração
- estima - necessidades
do ego: orgulho, auto-respeito; necessidades de status
- auto-realização
- síntese das anteriores, sempre em estado de necessidade crescente,
para realização de seu potencial no sentido mais elevado
do termo, para auto-satisfação
Para a motivação,
é necessário o envolvimento das pessoaos e ações
de manutenção para que o processo de engajamento em atividades
filantrópicas seja permanente. Uma das maiores dificuldades para
continuidade destes trabalhos é criar estimulos que levem a existir
motivação em nível suficiente para justificar um envolvimento
duradouro dos indivíduos e da comunidade como um todo.
O envolvimento pode ser
obtido através dos estimulos oriundos das atividades sociais e educativas
frequentes e criativas, de métodos de comunicação
eficientes entre todos os participantes, divulgando adequadamente temas,
reuniões e resultados de projetos realizados. Alguns pré
requisitos básicos do envolvimento em processos de promoção
da saúde na comunidade devem ser discutidos entre os interessados
em participar de atividades comunitárias, a saber:
- comprometimento com a
justiça social e econômica : saber que a "saúde para
todos no ano 2000" depende de políticas e medidas mais concretas
no dia a dia, e de uma crença interior de que esta meta é
real e compartilhada entre os voluntários
- convicção:
todos participantes desde a coordenação até a equipe
de campo devem estar convencidos da validade do projeto em que se envolveram
- crédito ao voluntariado
: apesar de não remunerado, o trabalho voluntário acrescenta
muito do ponto de vista técnico e de continuidade a qualquer iniciativa
de promoção da saúde, efetivando, na prática,
o trabalho multiprofissional.
- envolvimento pessoal :
o envolvimento de cada um é pessoal e intransferível, seja
qual for a atividade desenvolvida na equipe
- continuidade : é
imprescindível um esforço constante no sentido de forçar
mudanças de comportamento na comunidade trabalhada, de forma a tornar
permanentes os ganhos obtidos durante o projeto específico
- retorno à comunidade
: a todos os setores da comunidade deve garantir-se uma via de comunicação
efetiva quanto ao retorno das metas alcançadas, bem como a valorização
de cada um e de sua participação para atingir-se o objetivo
proposto
- descompromisso de credos
: os compromissos políticos ou religiosos não devem tornar-se
barreiras à efetivação das metas definidas para um
trabalho específico, nem favorecer a divisão das equipes
de trabalho.
As atividades comunitárias
necessitam, também, de definições precisas quanto
aos seus objetivos, duração e benefícios a serem concedidos,
de forma a deixar claro aos participantes em que tipo de projeto estão
se envolvendo. Alguns conceitos importantes devem ser lembrados neste sentido:
- população
alvo : deve ser claramente definida a parte da população
a ser atingida, para programar as ações de forma efetiva
( programas com crianças, idosos, gestantes...)
- área alvo : como
geralmente recursos materiais e humanos são escassos, devem ser
definidas geograficamente as áreas de atuação que
se ampliam progressivamente ( iniciar em um bairro, passar para os próximos
segundo um cronograma, etc...)
- integração
à comunidade : nunca deixar de utilizar o sistema local já
desenvolvido para dar alguma resposta à necessidade de saúde
que será abordada, procurando incorporar as rotinas bem sucedidas
e colaborando no aperfeiçoamento das demais.
- serviços gratuitos
: tanto as atividades educativas quanto as assistenciais não devem
utilizar-se de rotinas onde barreiras econômicas signifiquem que
não sejam atingidos os objetivos inicialmente definidos.
Algumas organizações
de trabalhadores voluntários já estão criadas em países
onde o este tipo de envolvimento comunitário já é
mais estruturado e culturalmente incentivado. Na Inglaterra existe uma
Assossiação Nacional chamada "National Association of Volunteer
Bureaux", cujo estatuto apresenta alguns ítens que aqui reproduzimos:
- os voluntários
devem ter uma idéia clara das atividades e responsabilidades das
tarefas a serem desenvolvidas
- os voluntários
devem saber quem é seu supervisor e seu grupo de apoio e retaguarda.
- devem tomar parte do processo
de discussão e elaboração do programa a ser desenvolvido
- os voluntários
não devem trabalhar sob nenhuma pressão moral que seja contrária
a seus princípios
- os voluntários
deverão proteger-se de forma adequada de riscos que possam surgir
ao trabalhar como voluntários
- não deverão
ter perda financeira pelo voluntariado, devendo receber pelos gastos realizados
para a execussão de suas tarefas
- os voluntários
não devem ser utilizados em atividades que tenham sido exercida
por indivíduos assalariados
- a relação
entre os voluntários e os profissionais assalariados durante um
projeto deve ser complementar e de benefício mútuo, com as
responsabilidades e áreas de atuação bem definidas
- o trabalho voluntário
deveria ser uma atividade geradora de satisfação, podendo
os indivíduos, sob apoio e supervisão adequados, ampliar
ou modificar sua área profissional.
COMO FINANCIAR AS ATIVIDADES COMUNITÁRIAS
Principalmente para aqueles
que estão no início de atividades comunitárias e que
precisam conhecer algumas diretrizes básicas para organizar o financiamento
de projetos, alguns pontos devem ser levados em conta:
n a experiência só
se sedimenta a partir de tentativas e trabalhos sucessivos, mesmo que a
primeira tentativa de obter fundos para um projeto seja falha; desta forma,
nunca se deve encarar como disperdício o esforço e o tempo
dispendidos na preparação de um projeto
n deve-se buscar apoio de
pessoas mais experientes para melhorar o que for julgado como ponto fraco
do projeto, e estas parcerias frequentemente são ponto chave para
trazer credibilidade e sucesso na fase de levantamento de fundos.
Uma vez identificada a área
de atuação para um projeto, deve-se identificar qual o melhor
segmento para abordagem como fonte de financiamento . Alguns projetos podem
se adequar igualmente ao setor público ou privado, mas deve-se considerar
as condições atuais para a implementação da
idéia na opção de qual setor deve ser abordado com
maior chance de sucesso.
Basicamente, o setor privado
prefere não se envolver em áreas onde já existe uma
substancial verba pública investida ou disponível, por razões
óbvias. Também é importante que o Projeto apresente
características de continuidade e de ser economicamente auto-sustentado
com o tempo. Outras diferenças entre os dois setores podem ser identificadas,
e estão listadas a seguir quanto às vantagens e desvantagens
de ambos:
DIFERENÇAS ENTRE APOIO FINANCEIRO DOS SETORES PÚBLICO E PRIVADO
VANTAGENS
PÚBLICO PRIVADO
OBJETIVOS DEFINIDOS PELA
LEGIS- 1- ENFOCA ASSUNTOS EMERGEN-
LAÇÃO TES,
INTERESSES ESPECIAIS
FOCALIZA AÇÕES
DE IMPACTO EM 2- FREQUENTEMENTE PARCERIAS
GRANDES GRUPOS POPULACIONAIS
COM VÁRIAS FONTES DE FINAN-
CIAMENTO
3- TEM A GRANDE PARCELA DAS
VERBAS 3- ALGUNS PODEM DOAR GRANDES
QUANTIAS DE DINHEIRO
MAIS ACOSTUMADOS A GRANDES
4- MELHOR FONTE PARA INÍCIOS
CONTRATOS EXPERIMENTAIS
E SIMPLES
5- MAIS ACOSTUMADO A ARCAR
COM 5- PROJETOS NÃO PRECISAM SER
CUSTO TOTAL DO PROJETO COMPLEXOS
OU LONGOS
6- TEM NORMAS E FORMULÁRIOS
CO- 6- MAIS FLEXÍVEIS PARA RESPON-
NHECIDOS, RIGIDEZ EM PRAZOS
DER NECESSIDADES/CIRCUNS-
TÂNCIAS
7- MUITOS FUNCIONÁRIOS,
FONTE PARA 7- RARAMENTE EXIGÊNCIAS BU-
ASSISTÊNCIA TÉCNICA
ROCRÁTICAS P/ ADMINISTRAR
A VERBA
8- RECURSOS DISPONÍVEIS
PARA GRAN- 8- TEM PRESTÍGIO, STATUS
DE QUANTIDADE E VARIEDADE
DE
ORGANIZAÇÕES
PODE INSTALAR AUDITORIA SE
REGRAS 9- PODEM AJUDAR COM OUTROS
NÃO SÃO SEGUIDAS
RECURSOS ALÉM DE VERBA
10- MAIS INFORMAIS,MAIS PARA
NECESSIDADES LOCAIS
DIFERENÇAS ENTRE APOIO FINANCEIRO DOS SETORES PÚBLICO E PRIVADO
DESVANTAGENS
PÚBLICO PRIVADO
MAIS BUROCRÁTICO 1-
A DOAÇÃO ,EM MÉDIA ,É
MENOR
2- OS PROJETOS TÊM
QUE SER MAIS 2- PRIORIDADES MUDAM RAPI-
PROLONGADOS DAMENTE, DIFÍCIL
PREDIZER
CONTINUIDADE
3- COM FREQUÊNCIA EXIGEM
CONTRA 3- QUEM SOLICITA POUCO INFLU-
PARTIDA DA INSTITUIÇÃO
SOLICITANTE ENCIA NAS DECISÕES
MUITOS REQUISITOS A CUMPRIR
AO 4- INFORMAÇÕES DAS POLÍTICAS
RECEBER A VERBA INTERNAS
DIFÍCEIS DE CONSE -
GUIR
5- TENDÊNCIA A FAVORECER
INSTITUI- 5- EM GERAL NÃO COBREM CUS-
ÇÕES JÁ
CONHECIDAS TOS TOTAIS E OS INDIRETOS
6- DIFÍCIL ACEITAR
NOVAS IDÉIAS OU 6- POUCOS FUNCIONÁRIOS/VISI-
ABORDAGENS ARRISCADAS TAS
AO LOCAL LIMITADAS
MUDANÇA DE TENDÊNCIAS
POLI´TICAS/ 7- MOTIVOS POUCO CLAROS PA-
INSEGURANÇAS RA REJEITAR
PROJETOS/DIFI -
CULTA NOVAS TENTATIVAS.
Para a bordagem do setor
público, cada equipe de projeto deve inteirar-se das exigências
e áreas de atuação disponíveis na área
alvo do projeto para selecionar ou não esta fonte como a principal
e/ou inicial de financiamento.
Já para o trabalho
voluntário, que mais se identifica com necessidades específicas
e próximas da comunidade, o setor privado deve ser privilegiado
para uma abordagem inicial.
A história da filantropia
institucional ainda não foi descrita em sua totalidade, mas desde
1982 há relatos de pesquisas entre empresas do setor privado quanto
aos motivos para seu envolvimento na solução de problemas
da comunidade. Os resultados nos Estados Unidos, naquela época,
apontavam para o seguinte:
n 59% achavam que o setor
lucrativo da sociedade tinha uma responsabilidade ética de fazer
contribuições anuais ao setor filantrópico
n outros motivos como interesse
pessoal em artes, cultura, bem estar social e saúde para todos foram
referido
n aparece também
a importância de vender uma boa imagem pública da empresa
n uma pequena parcela citava
o impacto da isenção de impostos para as doações
Atualmente, nos Estados Unidos,
as atividades comunitárias empregam cerca de 9% da mão de
obra, respondendo por quantias ao redor de US$ 490 bilhões anuais.
Em países como a França as ONGs (Organizações
Não Governamentais) empregam 6% da mão de obra, e na Alemanha,
5%.
No Brasil não há
estatísticas deste setor, e, culturalmente, o trabalho voluntário
é uma atividade recente em nossas comunidades. O setor empresarial
teve contato com esta possibilidade mais precocemente que o cidadão
comum, e em pesquisa realizada no Rio Grande do Sul pela ONG " Parceiros
Voluntários", 74% dos candidatos a voluntários nunca se envolveram
em atividade filantrópica. Entre eles, 23% são profissionais
liberais e empresários, e apenas 3% são donas de casa. A
grande maioria dos que participam com alguma doação a projetos
prefere manter fora da publicidade as cifras envolvidas, ao contrário
do que ocorre nos países citados anteriormente.
EXEMPLOS DE ATIVIDADE COMUNITÁRIA E LEVANTAMENTO DE FUNDOS
A experiência da Universidade
Desde 1986 a Disciplina de
Oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas se envolve diretamente
em Projetos Comunitários de Reabilitação Visual do
Idoso, os Projetos Catarata. Nesta iniciativa, mais de 80 projetos foram
realizados diretamente pela Unicamp ,desenvolvendo-se um modelo efetivo
de parceria de instituições públicas (Universidade
e Prefeituras) e da comunidade (comércio, sindicatos, clubes de
serviço, hospitais, médicos) para a detecção
dos cegos idosos e realização da cirurgia de catarata em
todos os necessitados. Estes projetos modificaram muito, nos últimos
10 anos, a consciência de autoridades, da população
em geral e dos oftalmologistas em particular, quanto à importância
do trabalho comunitário, levando à sua proliferação
por todo o Brasil. Hoje já foram envolvidos mais de 400 municípios,
com mais de 1,5 milhões de pessoas com 50 anos de idade ou mais
cobertos pelos programas educativos de prevenção e reabilitados
da cegueira pela doação de óculos e realização
da cirurgia da catarata.
Uma conquista inquestionável
desta atividade, que se aperfeiçoou com os anos, foi a recente inauguração
de um Hospital Regional de Olhos no município de Taquaritinga, estado
de São Paulo. Os Lions Clubes tomaram para si a incumbência
do levantamento de fundos para a construção do Hospital e,
em 3 anos, conseguiram realizar este projeto com verbas internacionais
da Fundação Lions Internacional,doações de
empresários locais, bem como com promoções sociais,
como rifas, jantares e shows, com o apoio total da comunidade por uma obra
de inquestionável valor local e regional. A Universidade ativamente
responsabilizou-se pela parte administrativa e de suporte técnico
material e humano.
A experiência com o Setor Privado
Um outro exemplo da atividade comunitária aliada ao setor privado são os Projetos Catarata realizados pela parceria de empresas dos mais diversos setores e oftalmologistas locais, contato este facilitado pela Helen Keller International (HKI). Trata-se de uma organização sem fins lucrativos com sede em Nova York e que atua em 27 países na área do apoio técnico para o desenvolvimento de programas de prevenção de cegueira. No Brasil desde 1994 tem apresentado ao setor privado uma proposta de patrocínio para projetos catarata, onde as empresas atuam com a doação de fundos para cobrir as despesas logísticas da campanha e médicos, as prefeituras e a comunidade levam a cabo o mesmo modelo desenvolvido pela Unicamp em 1986. Como o envolvimento dos funcionários da empresa é muito grande nas etapas de organização e de seguimento, a consequência natural é de que estas empresas se tornem doadoras rotineiras para as comunidades onde suas fábricas ou unidades estão localizadas, além de sensibilizarem diretamente novos empresários a se engajarem na atividade filantrópica. Nestes moldes já foram realizados projetos com McDonalds (3), Chase Manhattan Bank (2), White Martins(2), Gerdau (1), Coimbra-Frutesp (2), entre outros, com mais de 3000 idosos recuperados da situação de cegueira. É um modelo que tende a se proliferar rapidamente à medida que mais médicos estejam disponíveis para suas comunidades e mais empresas percebam os benefícios institucionais imediatos devido à sua participação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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à teoria geral da Administração (cap 13). São
Paulo, Makron Books do Brasil Editora Ltda, 1993.
Gomes,M.T. - Eles vão
para o céu? O que leva executivos a dedicar tempo, talento e dinheiro
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Hall,M. - Getting Funded:
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Portland State University,1988.
Help Age International -
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Kleczkowski,BM; Elling,RH;
Smith,DL - Health system support for primary health care. Geneva, WHO Public
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World Health Organization
- Formulating strategies for health for all by the year 2000: guiding principles
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