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ESTUDO DE CRIANÇAS DE 5 À 14 MESES PORTADORAS DE VISÃO SUBNORMAL ATENDIDAS NA LARAMARA DE JANEIRO DE 1995 À MAIO DE 1997.

 

AUTORES: Edna Eiko Nakahara

Rosana Serafim de Abreu Silva Furtado

Ana Paula Braga

COLABORADORES: Maria Aparecida Onuki Haddad

Mayumi Sei.

Maria da Graça F. C. Monteiro.

 
 

1 - INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata de um estudo de 6 crianças, de 5 a 14 meses, considerando-se a data da primeira avaliação, portadoras de visão subnormal congênita ou adquirida durante os primeiros meses após o nascimento, que foram acompanhadas pelo programa de Intervenção Precoce (I.P.) da Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, pelo menos uma vez por semana por no mínimo três meses pelas Fisioterapeutas, no período de janeiro de 1995 à maio de 1997
Neste período foram atendidas, pelas Fisioterapeutas da I.P., 68 crianças, porém somente 6 crianças enquadraram-se às características determinadas neste trabalho.
Pretende-se estudar a evolução da resposta visual e do desenvolvimento neuro-psico-motor (D.N.P.M) da criança portadora de visão subnormal, a partir da integração ao referido programa. Avaliar-se-a então a eficácia do trabalho de Intervenção Precoce no D.N.P.M. e funções visuais das crianças consideradas.
Este trabalho iniciou-se em janeiro de 1995 e foi encerrado em maio de 1997.. Periodicamente as crianças foram reavaliadas , tanto do ponto de vista funcional quanto da acuidade visual.
Sabe-se como são importantes os primeiros anos de vida para o desenvolvimento normal da visão e como é essencial o papel da visão para o desenvolvimento normal de uma criança.(4). O bebê portador de deficiência visual (D.V.) deve apresentar, necessariamente um atraso em seu desenvolvimento neuro-psico-motor? Os pais são importantes nesse processo? Há uma fase onde devemos estimular mais para obtermos os melhores resultados.? O profissional da I.P. é importante como orientador da família?
O nascimento de uma criança deficiente visual abala o equilíbrio familiar. Este simboliza a perda da criança perfeita , desejada e da auto-estima dos pais. Os pais sentem-se comumente culpados e, movidos por este sentimento, por falta de informação e orientação passam a manifestar atitudes de superproteção aberta ou velada.(9)
O objetivo deste trabalho é elucidar o papel dos profissionais de Laramara quanto à orientação adequada aos pais para estimular seu filho e proporcionar sua evolução global. Acredita-se que a família tem grande influência na vida da criança portadora de D.V., esta criança deve ser vista como parte da família. Os pais precisam receber informações e orientações sobre seu filho, de forma honesta e enfática, de profissional especializado. (9)
1.1- O DESENVOLVIMENTO VISUAL NORMAL.

Ao nascimento todos os bebês nascem com uma visão baixa. A maturação do sistema visual se inicia a após o nascimento e só completa por volta dos 8 anos de idade. Mas há uma época de maior plasticidade do sistema visual, o chamado "Período Crítico".(2,14,15)
Período crítico, idade plástica ou período sensitivo é o período da vida durante o qual as funções visuais podem ser modificadas por experiências visuais anômalas, é o período de maior plasticidade do Sistema Nervoso Central. Geralmente este período vai de 0 a 5 anos, tem seu pico por volta de 2 anos e vai diminuindo gradativamente. (2)
O comportamento visual da criança expressa sua habilidade visual global e resulta da interação de diferentes funções visuais: acuidade visual (A.V.), (a medida da capacidade de distinguir detalhes); sensibilidade aos contrastes, (propriedade que possibilita ver as diferenças de brilho entre diversas superfícies); campo visual, (capta ou transmite imagens de uma grande parte de seu meio ambiente); coordenação binocular, (fornece visão de profundidade e distância); adaptação ao escuro (adaptação à luz) e visão para cores . À medida que se processa o desenvolvimento, as funções visuais e oculomotora são interdependentes. Fixação, seguimento visual ou acomodação são exemplos de comportamento visual que dependem dos músculos extrínsecos e intrínsecos do olho que funcionam em harmonia uns com os outros .(7)
Pensando no funcionamento e desenvolvimento visual, principalmente no período crítico podemos embasar a utilidade da estimulação visual o mais precocemente possível.

1.2 - DEFINIÇÃO DE VISÃO SUBNORMAL

"A deficiência visual é um impedimento total ou a diminuição da capacidade visual decorrente de imperfeições no órgão ou no sistema visual", podendo ser o indivíduo caracterizado como portador de cegueira ou de visão subnormal."
Em julho de 1992, durante reunião sobre deficiência visual infantil, promovida pela Organização Mundial de Saúde, em Bangkoc (Tailândia), foi elaborada, e está em vigor, a nova definição de visão subnormal:
"O indivíduo portador de visão subnormal é aquele que:
-Possui um comprometimento de seu funcionamento visual, mesmo após tratamento e/ou correção refracional com lentes comuns:
- Possui uma acuidade visual entre 6/18 (0,3) e percepção luminosa ou campo visual inferior a 10º a partir do ponto de fixação;
- Mas utiliza ou está potencialmente capacitado a empregar sua visão remanescente para o planejamento e execução de tarefas determinadas." ( 8 )
Recomenda-se, ainda, incluir nesta definição, indivíduos portadores de uma anormalidade no sistema visual que incapacite de responder aos testes de acuidade visual com símbolos, mas que respondem a outros estímulos.
Outros comprometimentos do funcionamento visual, tais como baixa sensibilidade aos contrastes ou falta de adaptação ao escuro, devem ser incluídos, pois são igualmente incapacitantes." (8)

1.3 - O BEBÊ COM VISÃO SUBNORMAL.

O bebê portador de deficiência visual (D.V.) não é estimulado a mover-se como aquele que vê. O bebê vidente, quando de bruços, irá levantar a cabeça e será recompensado com algo interessante que vê. Isto o animará a continuar levantando a cabeça, aceitando ficar nesta posição por longo período. Para o bebê D.V. esta posição é incômoda, sem este estímulo o bebê demorará a manter o controle da cabeça, prejudicando o tônus do tronco, o que dificultará as ações subseqüentes: sentar e engatinhar. (9, 10)
Fica claro assim o quanto a visão e cada fase do DNPM estão relacionadas.(5)
O interesse pelo mundo e pelas pessoas é normalmente despertado através dos olhos de um bebê recém-nascido e reforçada através da alegria visível de seus pais e de outras pessoas. É dessa maneira que se inicia duas qualidades importantes de desenvolvimento: a compreensão social e sua resposta ao meio. (13)

1.4 -- ESTIMULAÇÃO VISUAL.

Algumas crianças classificadas como cegas, podem ter visão residual. Logo nos primeiros meses é preciso que a criança descubra suas mãos e observe-as, isto é, que inicie o prazer de ver. (10)
O ideal é conseguir resgatar todos os potenciais perceptivos existentes na criança, ajudá-la a usar sua visão residual e possibilitar estímulos para que haja um melhor desenvolvimento global, logo que for detectada a deficiência visual, pois a visão é uma função que se aprende e sua qualidade pode ser melhorada durante o período crítico.(4) O objetivo do desenvolver a eficiência no funcionamento visual precocemente é resgatar todos os potenciais perceptivos existentes na criança, ajudá-la a usar o seu resíduo visual e possibilitar estímulos para que haja um melhor desenvolvimento global.(14)
Segundo a nossa prática acreditamos cada vez mais que a estimulação visual, em forma de exercício não é eficaz, principalmente em bebês, sendo necessário associar a estimulação visual à global, principalmente motora para dar um sentido ao "ver". E, é preciso que faça parte da rotina da criança, isto se consegue através da orientação e participação dos pais.

1.5 - INTERVENÇÃO PRECOCE.

É um método terapêutico educacional e social que auxilia o processo de desenvolvimento de crianças, cujos padrões biológicos são atípicos devido a fatores biológicos e ambientais anormais. A idéia básica se prende à importância de determinados estímulos adequados nos primeiros anos de vida, de forma a garantir à criança evolução tão normal quanto possível. (6)
Baseia-se no princípio de estimular a criança a utilizar sua visão residual e seus sentidos remanescentes, e combater alterações físicas e psicológicas através de atividades que proporcionem prazer à criança, cercadas de afetividade para que ocorra um bom entrosamento com a criança. (1,9)
As atitudes superprotetoras dos pais e familiares refletem-se, em grande parte, nas atividades diárias da criança, interferindo decisivamente em todo processo de aquisição de conhecimento e aprendizagem, inibindo-a tanto no plano físico quanto emocional.(9)
Se a criança portadora de D.V. for aceita e amada suas chances de desenvolvimento, suas possibilidades de aprender, descobrir e integrar-se serão bem maiores A qualidade do relacionamento dos pais sinaliza o tipo de relacionamento dos irmãos, em relação à esta criança, que de uma maneira ou de outra, reproduzem o modelo paterno. (1, 9).
Têm-se observado que a ação da criança portadora de D.V. e sua capacidade de construir conhecimento ficam muitas vezes prejudicadas, não apenas pela limitação visual em si, mas pela qualidade de troca com o meio. (1)
Assim pelo trabalho de Intervenção Precoce tentamos compreender as necessidades, facilitar a construção do conhecimento como um todo, através da interação com o outro. Procuramos despertar a curiosidade, o interesse pela descoberta do mundo, estimulando a iniciativa e autonomia da criança portadora de deficiência visual. (9)

1.6- A ROTINA DE ATENDIMENTO NA LARAMARA.

Na Laramara, antes de ser integrada ao atendimento a família passa por uma triagem que inicia-se com a avaliação no Serviço Social. Depois é encaminhada para avaliação clínica e funcional, que citaremos à seguir:
As crianças inicialmente são avaliadas por oftalmologistas que realizam o exame oftalmológico completo e determinam a conduta. Então são submetidas às avaliações descritas à seguir:

1.6.1 - Acuidade Visual (12,16)
As crianças são submetidas à medida da Acuidade visual pelo método de Cartões de Acuidade de Teller (CAT). Trata-se de um método objetivo de quantificar a acuidade visual em bebês, crianças pré-verbais e portadoras de múltiplas deficiências.
O CAT baseia-se na preferência natural das crianças por alvos com padrão (olhar preferencial). O padrão utilizado no CAT é o de listras brancas e pretas alternadas. É composto por uma série de pranchas de listras com larguras decrescentes em uma metade e um campo homogêneo na outra. Através de um orifício central, o examinador observa a direção do olhar da criança. (12)
Neste trabalho a medida da acuidade visual pelo Teller dada em ciclos/grau foi transformada para seu equivalente em Snellen e decimal. Entretanto é necessário ressaltar que a acuidade em Snellen é uma medida de reconhecimento enquanto a acuidade com cartões de Teller é uma medida de resolução.(16)
Foi considerado o primeiro e o último resultado da medida de A.V. pelo CAT, sempre com melhor correção óptica e foram considerados sempre a resposta do melhor olho da criança.

1.6.2 - Avaliação Funcional da Visão (1)
Uma vez diagnosticada a deficiência visual, é necessária a avaliação da função visual, pois em crianças com baixa visão as funções visuais poderão estar alteradas em proporções diferentes.
Além disso, a avaliação funcional pode ser a única fonte de informações em crianças sem linguagem, bebês ou com múltiplas deficiências.
Além do aspecto visual o processo de avaliação inclui informações sobre o desenvolvimento global e utilização da visão residual para interação com pessoas e com o mundo que a cerca.
Em sua definição temos:
AFV é um processo de observação informal do comportamento visual em relação ao nível da consciência visual, da qualidade da recepção, assimilação, integração e elaboração dos estímulos visuais em termos perceptivos e conceptuais. (1)
Está estruturada em termos das: funções visuais básicas, viso-motoras e viso-perceptivas.
Devido a extensão de tal avaliação as autoras selecionaram 10 itens que julgaram mais importantes. Considerou-se a aquisição das respostas visuais independente das distâncias nas quais elas foram obtidas.
A- Reação à luz;
B- Localização de luz;
C- Localização de objetos grandes;
D- Sensibilidade à contraste;
E- Segue luz e objetos em movimento;
F- Apresenta coordenação olho-mão;
G- Focaliza objetos e realiza alcance;
H- Manipula objetos examinando-os visualmente;
I- Mantém contato visual;
J- Explora ambiente visualmente.

1.6.3 - Avaliação Funcional do Desenvolvimento (1)
O objetivo da avaliação funcional do desenvolvimento é saber como a criança portadora de deficiência visual interage com o meio, organiza e constrói o seu conhecimento, compreender quais são os meios de que as crianças com alterações visuais, dispõe e quais elas utilizam para perceber, conhecer e relacionar-se com o mundo.
Conhecer a etapa do desenvolvimento em que se encontra cada criança é fundamental para a compreensão de suas necessidades e organização de um programa de acompanhamento e orientação. Através desta avaliação temos uma visão do desenvolvimento integral do portador de deficiência visual e realizar uma intervenção adequada.(1)
Devido a extensão de tal avaliação as autoras deste trabalho selecionaram 06 itens básicos, considerando-se a aquisição completa de cada item.
a- Controle cervical;
b- Rolar completo;
c- Sentar sem Apoio;
d- Arrastar;
e- Engatinhar;
f- Andar.

1.6.4 - A Intervenção Precoce na Laramara.
O bebê , de zero a três anos, é avaliado pela fisioterapeuta que preocupa-se com o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM). Nesta fase este ocorre com maior velocidade e é também o período de maior plasticidade do Sistema Nervoso Central.(2)
Os pais são orientados a estimularem sua criança globalmente. Mostramos o quanto sua criança vê. A partir daí os pais passam a motivar a criança, a descobrir suas possibilidades, utilizar da melhor maneira possível os seus sentidos e como desenvolver-se motoramente de forma natural..
A criança é estimulada globalmente, porém com ênfase no desenvolvimento da eficiência visual. Incentiva-se a criança a descobrir o que ela é capaz de ver, assim ela passará a gostar de ver e a utilizar sua visão residual de forma mais eficiente. Além disso, com a estimulação dos outros sentidos passa a descobrir novas possibilidades motoras, evoluindo também no DNPM. A avaliação funcional da visão é importante pois além do profissional, os pais necessitam conhecer os resultados, as limitações e possibilidades da criança.
É preciso estar sempre muito atento às aquisições e, principalmente limitações da criança para não exigir dela algo além de suas possibilidades e evitar criar falsas expectativas nos pais e familiares.
Para os bebês o ideal é o acompanhamento semanal devido a instabilidade que observamos, intercorrências como uma simples gripe pode levar a criança ao desinteresse e os pais precisam de apoio e orientação neste momento. As aquisições têm que ser percebidas e estimuladas bem como novas formas de estimulação podem ser acrescentadas.
Considera-se a individualidade de cada criança, de cada família, para uma orientação adequada, visando sempre a melhoria das condições da criança.
É importante respeitar o tempo que a criança demora para assimilar a estimulação e responder à ela, Lembramos os pais disso, para não gerar ansiedade.
Sempre pensando na melhor forma de levar o ver para o dia-a-dia da criança e estimulá-la de forma lúdica, iniciamos em 1996 o atendimento em grupo.
Tal necessidade ficou clara quando notamos que a criança sozinha durante a estimulação na Laramara não convivia com outra criança, apenas brincava a mãe e a profissional. Visando esta necessidade de sociabilização ou mesmo de troca entre mães com problemas em comum é que iniciamos o atendimento em grupo.
As Fisioterapeutas atuam como mediadoras, propõe a atividade e só interferem quando sua presença é indispensável, têm o papel de organizar o ambiente e as atividades de uma maneira natural, para que as mães reproduzam em casa, no contexto familiar. A orientação aos pais é essencial
Percebemos que do próprio diálogo entre mães surgem sugestões e idéias simples que são bem absorvidas pelas outras de forma natural.
Devido ao fato da Laramara ser freqüentada por famílias de todas as classes sociais vimos a necessidade dos pais compreenderem a função que os brinquedos têm para seus filhos. Em cada fase de seu desenvolvimento, suas brincadeiras, existem brinquedos simples, de sucata, que tem a mesma função de um brinquedo sofisticado.
O ambiente ao redor da criança deve ser aconchegante, favorável à exploração para despertar a curiosidade. O grupo tem atividades corporais, canções, estimulação global com brinquedos e atividades rotineiras como lanchar, para iniciar relacionamento em grupo e aprendizagem de regras sociais. De modo que iniciem a fase escolar mais preparadas.
É indiscutível a importância dos pais no trabalho de intervenção precoce. (1) A colaboração determina a evolução da criança já que esta, como qualquer bebê, depende do apoio e estimulação constante dos pais. Assim, os profissionais devem estar sempre prontos a incentivar, orientar e acolher o sofrimento e dificuldades dos pais.(9)
São realizados seminários para pais, onde os casais participam e recebem mais orientações.
É preciso o conhecimento e a confiança mútua. Os pais devem ser orientados a lidar com seu filho, as diversas formas de estimulá-lo no dia-a-dia e restringir seus limites. São eles que passam a maior parte do tempo com a criança e, além disso, os vínculos familiares são a base para a formação e desenvolvimento da personalidade, por isso podem alterar decisivamente a eficácia da intervenção precoce.(9)
Pretendemos que a criança aprenda a lidar com a sua própria limitação, ter auto-estima suficiente para poder superar os obstáculos e adquirir autonomia e independência real que se iniciam desde a mais tenra idade. Cabe a todos nós enxergarmos que além da deficiência existe uma criança e suas limitações não devem ser atribuídas a ela, mas a perda visual. O significado social de uma deficiência somente será positivo, quando o indivíduo puder exercer de fato o direito à cidadania.
 

2 - PACIENTES E MÉTODOS

Foi selecionado um grupo de 6 crianças portadoras de visão subnormal congênita ou adquirida nos primeiros três meses de vida, de 5 a 14 meses, levando-se em conta o início do trabalho, sem qualquer outra alteração motora, auditiva ou mental associada. Diagnósticos: 4 com Retinopatia da Prematuridade, 1 catarata congênita e microftalmia e 1 com microftalmia. Os pais nunca haviam sido orientados por um serviço de Intervenção Precoce quanto ao desenvolvimento global e processo educacional de seu filho
Devemos lembrar, como já citamos, que das 65 crianças atendidas semanalmente, pelas Fisioterapeutas, no período de janeiro de 1995 à maio de 1997 apenas seis enquadravam-se perfeitamente às exigências pré estabelecidas neste trabalho.
Tais crianças estavam ou estão inseridas no programa de Intervenção Precoce de Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, ao menos uma vez por semana. No período de janeiro de 1995 à maio de 1997 e permaneceram no serviço por no mínimo três meses.
A medida da acuidade visual foi realizada pela ortoptista através do teste de Cartões de Acuidade de Teller - CAT (Acuity Cards (TM) Vistech Consultants).
A seguir a criança foi encaminhada ao Programa de Intervenção Precoce onde uma das Fisioterapeutas avaliou as respostas visuais e o nível de desenvolvimento neuro-psico-motor através da Avaliação Funcional da Visão e da Avaliação Funcional do Desenvolvimento elaboradas pela professora Marilda Moraes Garcia Bruno. (1)
Tais avaliações são utilizadas por toda a equipe de Laramara. Escolhemos CAT pois é o método mais preciso para avaliação de Acuidade visual em crianças até 3 anos, embora não seja capaz de detectar pequenas baixas de acuidade visual uni ou bilateral.(12,16)
Após as avaliações a criança foi integrada ao Programa semanal em atendimentos individuais ou em grupo onde enfatizamos a estimulação visual, global e, principalmente, a orientação aos pais. A família participou ativamente de todo o processo, foi orientada, aprendeu, dentro do possível, a lidar com sua criança e a interpretar seus desejos, favorecendo assim a interação e a comunicação entre pais e filhos.
As crianças foram reavaliadas do ponto de vista oftalmológico e funcional para controle. Foram consideradas duas avaliações: a primeira e a última.(1ª e 2ª avaliações)
Consideramos os seguintes fatores: diagnóstico, sexo, idade, data das primeiras e das últimas avaliações funcionais e de acuidade visual.
Este trabalho foi desenvolvido através de conceitos básicos decorrentes de revisão bibliográfica e pesquisa estatística interna. Utilizou-se o acompanhamento da criança bem como o levantamento de prontuários.
Concluímos o trabalho após o último teste de Teller e Avaliações Funcionais.

3 - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Primeiramente devido ao pequeno número de crianças estudadas torna-se impossível um estudo estatístico dos resultados obtidos. Pode-se somente expor os resultados observados.
As crianças chegaram ao programa com idades entre 5 e 14 meses. (Tabela I)
Das 6 crianças 4 apresentavam Retinopatia da Prematuridade, 1 microftalmia e 1 catarata congênita e microftalmia. (gráfico 1). 5 criança do sexo masculino e 1 do sexo feminino. (gráfico 2)
Quanto ao DNPM observamos que as seis crianças acompanhadas apresentavam atraso, mesmo leve, no DNPM em relação à idade. Na última avaliação todas elas apresentaram as aquisições motoras selecionadas neste trabalho.(gráfico 3)
Quanto às respostas visuais todas as crianças tinham percepção e localização de luz. Três localizavam objetos grandes e percepção de contrastes. Apenas uma focalizava objeto e realizava o alcance visual. Uma seguia luz e objetos em movimento. Nenhuma delas apresentava, não manipulava objetos examinando-os visualmente, mantinha contato visual ou explorava ambiente visualmente. (gráfico 4)
Após a inserção ao programa de I.P., na última avaliação todas apresentaram: reação à luz, localização de objetos grandes, sensibilidade à contrastes, seguimento de luz e objetos em movimento, coordenação olho-mão e focalizarão de objetos e alcance visual. Cinco manipulavam objetos examinando-os visualmente. Quatro mantinham contato visual. Apenas uma explorava ambiente visualmente. Observamos então que todas as crianças apresentaram melhora sendo que o item mais difícil foi a exploração do ambiente que foi conseguido apenas por uma criança.(gráfico 4)
Observando o gráfico de acuidade visual podemos observar que uma criança não apresentou melhora e cinco apresentaram melhora. (gráfico 7) Há casos em que mesmo não havendo melhora na acuidade visual, no CAT, todas elas melhoraram quanto a utilização da visão, isto é, houve melhora no sentido funcional, no desenvolvimento global e visual.(gráficos 5 e 6)
Em um futuro próximo pretendemos aumentar o número de crianças de modo a obter uma amostra suficiente para um estudo estatístico. Se comprovarmos que a melhora da resposta visual e motoras está relacionada à I.P. pretendemos criar uma campanha de cunho educativo e preventivo, a princípio de âmbito municipal. O intuito de tal campanha é o de orientar profissionais de áreas afins para que estejam capacitados a detectar e encaminhar à serviços especializados as crianças com possíveis alterações visuais, o mais precocemente possível. E desta forma prevenir o aparecimento de atrasos no DNPM decorrentes de déficit visual, ou mesmo a não utilização de um resíduo visual que seria útil no processo de aprendizagem da criança.

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