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SUMÁRIO
A grande dificuldade de comunicação
do surdocego congênito gera um grande impasse na elaboração
dos Programas Educacionais.
Há treze anos atuando
na área de surdocegueira, a ADefAV-Associação para
Deficientes da Audio Visão vem pesquisando qual a forma mais eficiente
de atingir esse indivíduo com necessidades tão especiais
e como propiciar o seu desenvolvimento e sua adaptação familiar
e comunitária.
Alguns dados são
indispensáveis para que se obtenha os resultados esperados, assim
como:
- A situação
do surdocego congênito hoje no Brasil.
- O reconhecimento da surdocegueira
como uma deficiência
específica que requer
técnicas específicas.
- O conhecimento profundo
desse indivíduo e de suas con-
dições pessoais.
- O conhecimento das técnicas
de abordagem, específicas a
cada caso.
- A priorização
da comunicação como condição básica
para
todo o trabalho.
Colocando-se como objetivo
principal da proposta de atendimento ao surdocego congênito, a melhoria
em sua qualidade de vida, a primeira ação se constituirá
na montagem de programas que atendam suas necessidades específicas,
que venham a ser significativos para ele e sua família e que venham
facilitar sua integração na comunidade de suas relações.
Somente as avaliações
tradicionais não apresentam dados suficientes para a elaboração
dos Programas Funcionais-Ecológicos, no entanto, são incluídas
para complementação das avaliações.
Consideram-se: as condições
pessoais do aluno, a história de vida desse indivíduo e sua
família; o seu nível de comunicação, seu repertório
de ações e preferências; as expectativas da família
e da escola; as condições ambientais no lar, na escola e
na comunidade.
De posse desses dados elaboram-se
os programas que são executados e periodicamente refeitos.
O trabalho com o aluno Surdocego
e com o Surdo Múltiplo-Deficiente através dos Programas Funcionais-Ecológicos
tem-se mostrado compensador pois é visível o interesse pelas
atividades nas quais encontram função, diminuindo seu isolamento
e aumentando sua atenção pelos acontecimentos a sua volta.
Há uma nítida melhoria na qualidade de vida dessa população.
IDIOMA DE APRESENTAÇÃO:
PORTUGUÊS
ESTE TRABALHO SERÁ
APRESENTADO EM : WORKSHOP
CURRICULUM DA APRESENTADORA
- 1997
Nome completo : Ana Maria
de Barros Silva
Formação:
Orientadora Educacional
Pedagoga Especializada em
Surdocegueira através
de Cursos oferecidos pelo
Programa Hilton/Perkins
para América Latina
Pedagoga Especializada em
Deficiência Auditiva
Pedagoga Especializada na
surdocegueira há 20 anos
Atuação Profissional:
Representante da P.O.S.C.A.L.no Brasil- Programa
para Organização
de Associações para Surdocegos
na América Latina
Coordenadora do Setor de
Assessoria Educacional na
área de surdocegueira
Coordenadora da ADefAV por
12 anos
Sócia Fundadora da
ADefAV -Associação para Def.
da Audio Visão
ICEVI - 10 th CONGRESSO MUNDIAL
PROGRAMAS FUNCIONAIS-ECOLÓGICOS
PARA
SURDOCEGOS CONGÊNITOS
Autora : SILVA, ANA MARIA DE BARROS
I - Introdução
O surdocego congênito,traz
para a educação um grande desafio:
a introdução
da comunicação.
A ausência ou lesão
nos dois mais importantes sentidos visão e
audição, acarretam
uma das mais difíceis abordagens comunicativas.
A proposta educacional da
ADefAV- Associação para Deficientes da
Audio Visão, prioriza
o atendimento ao surdocego e inclui também o
surdo múltiplo-deficiente
considerando o fato de que todos esses in-
divíduos tem como
maior dificuldade a Comunicação, e é sabido o quan-
to é básica
a comunicação para o desenvolvimento do indivíduo.
I - 1 A Comunicação do surdo, do cego e do surdocego
I - 1.1 O Surdo:- Sua principal
característica é a dificuldade de comunicação
pelo déficit auditivo.
Seu desenvolvimento baseia-se totalmente na vi-
são e a aquisição
da comunicação se dá, na maioria das vezes, através
de
gestos, com grande dificuldade
para o abstrato e para dominar a língua
pátria de forma ampla,
que lhe proporcione uma boa integração social.
I - 1.2 O Cego :- A criança
com problemas visuais também pode apresentar di-
ficuldades de comunicação
em virtude da impossibilidade de observar. Ne-
cessita de uma aproximação
tátil e interação com um adulto incentivador
para que se estabeleça
"uma comunicação pré-verbal de imitação
e
representação"
(Marilda M. G.Bruno, 1993).
I - 1.3 O Surdocego Congênito:-
O surdocego e o surdo múltiplo deficiente
representam o grande desafio:
sem audição, sem visão ou com grandes
perdas visuais e auditivas,
tem prejudicado o seu mais importante con-
tato com o mundo. As limitações
comunicativas do bebê surdocego difi-
cultam o "despertar" da
inteligência, uma vez que este despertar neces-
sita de uma estrutura emocional
que só virá a partir de uma interação
harmoniosa com o adulto.
Ao bebê surdocego
restam as informações olfativas, gustativas, táteis,
cinestésicas e vestibulares
sendo que nem sempre ele pode contar com
a compreensão do
adulto para ajudá-lo a integrar essas informações
sensoriais elaborando-as
de forma que se transformem em conceitos e
ampliem seu conhecimento.
É também difícil nesse nível haver interações
afetivas que o levem ao
conhecimento do eu, do outro e do seu am-
biente.
Esses sentidos remanscentes
carecem de técnicas muito específicas
para serem aproveitados
ou de uma grande disponibilidade afetiva dos
adultos para compensar a
falta dessas técnicas até o momento do
atendimento especializado.
II - O Surdocego
Os Surdocegos ... "são
aquelas pessoas severamente limitadas em suas
habilidades para responder
ao estímulo auditivo e visual, e que neces-
sitam de informação
adicional de modelos sensoriais alternativos (tátil,
vestibular, gustativo, olfativo
e cinestésico) para se comunicar" (SENSE,
Curitiba-1996).
Não importa o tipo
e intensidade das perdas, mas sim a funcionalidade
das mesmas.
III - Saúde e Educação no Brasil - A Especificidade da surdocegueira
Uma bordagem educacional
específica para o bebê surdocego e sua
família, viria diminuir
as possibilidades de isolamento desse bebê e das
graves consequências
que esse isolamento acarreta para o seu desen-
volvimento.
Se houvesse possibilidade
de diagnóstico precoce na área da saúde e
orientação
precoce encaminhando as famílias para área educacional es-
pecializada, teríamos
melhores resultados mas, infelizmente, essa não é
a realidade brasileira.
Por exemplo, na ADefAV, no ano de 1996, está-
vamos com 14% dos atendimentos
entre 0 e 4 anos e 50% entre 5 e 9
anos, frequentando as etapas
iniciais. A grande maioria das nossas cri-
anças iniciou o atendimento
entre 3 e 4 anos, e muitos em idades con-
sideradas "avançadas",
entre 7 e 8 anos.
A etiologia mais frequente
é a rubéola materna nos quatro primeiros me-
ses de gestação,
chegando nos dados da ADefAV, a 70% nos atendimen-
tos individualizados (casos
mais graves) e 30% no total dos atendimentos
(gravidades variáveis)
em 1996.
Podemos concluir, diante
desses dados, o quanto é urgente ações preven-
tivas no combate a todas
as deficiências, e principalmente as causadas
pela Rubéola Materna
já erradicada em outros países.
Importante também,
a divulgação dos recursos educacionais para setores
de saúde e para a
população em geral: e a ampliação das pesquisas
na á-
rea da múltipla deficiência.
No caso do surdocego é
necessário o conhecimento da deficiência como u-
ma deficiência específica
que não é uma somatória de surdez mais ce-
gueira, e sim Surdocegueira
uma deficiência que requer técnicas específi-
cas, pelas características
específicas do surdocego.
IV - Abordagem Educacional
Preferimos enfocar aqui o
atendimento tardio, que é o mais difícil de ser
abordado e, infelizmente,
o mais próximo da realidade brasileira.
Quando a criança
surdacega chega ao atendimento tardiamente e a fa-
mília não
conseguiu elaborar nenhuma forma de comunicação, temos uma
criança com condições
extremamente precárias, isolada e uma família
desgastada e sem esperanças.
Como diz Peggy Freemann
é a "imagem do caos"-(1985).
IV - 1 Características
do surdocego pré-linguístico
Atendimento tardio
As crianças que adquiriram
surdocegueira antes da aquisição da lingua-
gem, apresentam-se:
- isoladas, com comportamentos
estereotipados
- sem interesse por objetos,
pessoas e acontecimentos
- rejeitam a aproximação
física, usando o adulto apenas como instrumen-
to
- mobilizam-se apenas para
satisfação de suas necessidades básicas
- apresentam variedade na
intensidade das perdas, desde totais até
perdas parciais, em diversas
combinações.
- tem no olfato sua melhor
informação e no movimento seu maior inte-
resse- (Maria BOVE, 1992).
IV - 2 Etapa Inicial do Trabalho
Uma vez aceito o contato
físico e vencida a etapa da vinculação com o
profissional que atende
o aluno, pode-se elaborar um programa de aten-
dimento que respeite as
fases e etapas de comunicação não verbal, Nessa
fase usam-se objetos representativos,
é a fase anterior à Comunicação
Gestual.
Utilizando um "Programa
Funcional-Ecológico", podemos chegar até a uma
Comunicação
Gestual e de acôrdo com as condições do aluno, até
à uma
Programação
Pré-Vocacional e/ou Escolar mais avançada que possibilite
u-
ma melhor integração
familiar e comunitária.
V - Programas Funcionais-Ecológicos
V - 1 Levantamento de dados do aluno
V - 1.1 Condições
pessoais do aluno:
- Qual seu nível
de comunicação?
- Qual seu nível
de desempenho?
- Qual seu histórico
pessoal e familiar?
V - 1.2 Condições
familiares do aluno:
- Qual seu repertório
de ações no lar?
- Qual a situação
do aluno na família (expectativas familiares,etc)?
- Quais as possibilidades
do Programa Funcional ter continuidade em
casa?
V - 1.3 Condições
do aluno na Escola:
- Qual o repertório
de ações na escola?
- Quais os recursos existentes
na escola(humanos e materiais)?
- Quais as preferências
do aluno nas atividades escolares?
- Quais as expectativas
dos profissionais que atuam com o aluno?
V - 2 Elaboração dos Programas
V - 2.1 Levantamento dos objetivos
V - 2.2 Elaboração
da rotina de atividades ( *)
(*) A escolha das atividades
respeitam as condições do
aluno e de seu meio evitando
as programações arti-
ficiais e impostas pelo
Curriculum tradicional.
V - 2.3 Escolha dos objetos representativos
V - 2.4 Escolha do repertório em gestos que vai ser apresentado ao aluno
V - 3 Execução do Programa
V - 3.1 Execução experimental do programa para as devidas adaptações
V - 3.2 Execução
do programa com acompanhamento dos profissionais que
atendem registrando o desempenho
do aluno
V - 3.3 Reavaliação periódica com progressão nos objetivos
V - 4 Participação Familiar
V - 4.1 Trazer os pais para
o atendimento para assistir, para refletir e
para executar o programa
juntamente com o professor
V - 4.2 Programar com os pais as atividades de casa
V - 4.3 Acompanhar sua execução
CONCLUSÃO
A rotina organizada das atividades,
o uso dos objetos referenciais como princípio da comunicação,
estruturam o dia do aluno, dando-lhe segurança. Assim podem an-
tecipar a ação,
ampliar seu conhecimento do meio e também interferir nele.
Os programas funcionais-ecológicos
vêm reforçar e dar prosseguimento a esse de-
senvolvimento.
A melhoria da atenção
e do interesse em relação as atividades funcionais facilitam
a comunicação,
melhoram a postura, desempenho social, e o que é mais importante
trazem a possibilidade do
conhecimento de si mesmo e do ambiente ajudando a sua
adaptação
ao meio familiar e comunitário.
Os programas funcionais-ecológicos
facilitam a participação dos pais na escola e na atuação
com seus filhos em casa, por serem acessíveis ao leigo (sem tecnicis-
mos).
As famílias testemunham
a grande melhora na qualidade de vida dessas crianças e no relacionamento
familiar e social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VAN DIJK, J. - Movement and
comunication with -Rubella Children.
Madri. O.N.C.E. 1968
FREEMAN, Peggy - El bebe
sordociego.Ed. Española
Madri. O.N.C.E ,1991
COLLINS, M. - Tercer sentido
Madri. O.N.C.E. , 1993
BRUNO, Marilda Moraes Garcia
- O desenvolvimento integral do Portador de
deficiência visual.
São Paulo. NEWSWORK,
1993
BUHERWORTH, J. - Planificando
uma carrer. Mejorando la calidade de vida
atraves del empleo. Apostila,
Cursos da Dra. Alana Zambone
U.S.A., 1993
STILLMAN, Robert D. Y BATTLE
- El desarrollo de la comunicación pré-linguística
en los deficientes profundos:
una interpretación
del método de Van
Dijk.
Madri. O.N.C.E. , 1970
BOVE, Maria - Cursos sobre
Comunicação do Surdocego Congênito
Programa Hilton/Perkins
para América Latina
São Paulo, SP. ,1993
ESTE PROJETO É EM
PARTE, ASSISTIDO PELO PROGRAMA HILTON/PERKINS DA ESCOLA PERKINS PARA CEGOS
WATER TOWN, MASS. USA
O PROGRAMA HILTON PERKINS
É SUBVENCIONADO POR UMA DOAÇÃO DA FUNDAÇÃO
CONRAD N. HILTON DE RENO, NEVADA USA